As razões do meu SIM
- porque o aborto é um problema social que não será combatido apenas com planeamento familiar, educação sexual a jovens ou incentivo à adopção;
- porque mulher nenhuma faz um aborto de ânimo leve. Existem muitas e variadas razões que levam a mulher a esta solução drástica: razões sociais, psicológicas, monetárias;
- porque uma gravidez indesejada levada a termo traz consequências irreversíveis não só para a mãe como para o bebé;
- porque, se forem criadas condições para ter filhos, como bons abonos de família, bons apoios a nível da saúde e da educação, muitos abortos nunca serão realizados;
- porque é impensável e inconcebível voltar a ter mulheres no banco dos réus acusadas da prática de aborto clandestino;
- porque nenhum método anticoncepcional é infalível. Conheço muita gente por aí que é "filho da pílula";
- porque gravidezes indesejadas não são só um problema das classes baixas. A única diferença é que, enquanto as mulheres mais desfavorecidas se entregam nas mãos dum carniceiro qualquer, quem tem mais algum dinheiro vai ali a Badajoz e faz um aborto com toda a segurança;
- porque sexo não é apenas para fins procriativos. Uma vez Natália Correia, em discussão com outro deputado na Assembleia da República, perguntou ao senhor se, já que apenas tinha 3 filhos, só teria dado 3 quecas na vida. Faz falta ao Mundo mais mulheres como ela;
- porque milhares de mulheres pelo mundo todo morrem todos os anos por causa de abortos feitos sem condições nenhumas de higiene e segurança;
- porque o corpo é da mulher e a última palavra é sua. Homem nenhum pode tomar essa decisão.
Para mais informação sobre a legislação em vigor em todo o Mundo:
Women on waves
E a Denise escreveu um post óptimo sobre o Aborto na História.
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Actualização:
A que ponto chega a discussão sobre o aborto neste país... Um padre afirma, num boletim distribuído na sua paróquia, que “as mulheres que cometem o aborto estão impedidas de ter um funeral religioso”.
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Actualização II:

Parece que foi propositado mas não foi. Dia 22 de Janeiro foi o dia escolhido para uma blogagem colectiva que tem como fim mostrar que o direito da mulher à escolha é inegociável e todos os blogs pró-escolha foram chamados a postar sobre o assunto. O dia 22 foi propositadamente escolhido pois assinala o 34º aniversário do caso Roe vs. Wade quando o Supremo Tribunal Norte-Americano determinou que "leis contra o aborto violam um direito constitucional à privacidade, que a interrupção da gestação no primeiro trimestre apresenta poucos riscos à saúde materna e que a palavra 'pessoa' no texto constitucional não se refere ao 'não nascido'."
Por acaso não sei o que a nossa constituição diz sobre isso (não-nascidos) mas vou averiguar. I'll let you know.
Fontes: Síndrome de Estocolmo e Always por um triz




9 comentários:
Concordo em gênero, número e grau, Sofia. Está havendo um plebiscito em Portugal?
Um abraço!
Nathanne,
vai haver um referendo em Portugal no dia 11 de Fevereiro e teremos de votar Sim ou Não sobre se concordamos com a despenalização do aborto até às 10 semanas. Vamos ver. No último referendo o Não ganhou mas na realidade quem ganhou mesmo foi a abstenção.
Beijos.
Hiran,
parece que toda a gente conhece alguém que já fez, não é? E isso vai continuar a ser um assunto tabu enquanto não existir uma liberdade de escolha, melhor ainda, um direito à escolha.
Beijos.
Oi Sofia, acho muito interessante essa oportunidade que a sociedade portuguesa terá em opinar e decidir sobre uma questão tão delicada, mas ao mesmo tempo tão presente.
Um beijo grande!
PS: Si que parlo català, estic a Cataluny i cal parlar el seu idioma!
Concordaria com tudo o que disseste se não estivessemos a falar de matar uma vida... aquela que já vive dentro da mulher que vai fazer o aborto...eu era para ter sido um aborto porque a minha mãe qd soube estar grávida entrou em pânico por não ser a altura ideal para ter outra filha devido a dificuldades financeiras entre outras, graças a Deus ela arrepndeu-se na ultima hora e hoje estou aqui... adoro estar viva, amo a minha vida e as minhas filhas foram para mim milagres desde que as vi na eco das 7 semanas (para me certificar que elas estabam mesmo lá)...
concordo que nenhuma mulher ou quase nenhuma faz um aborto de ânmo leve e que não é ao dizer não que se acaba com o dilema do aborto clandestino, mas tens de concordar que ao liberalizar e ao facilitar tanto a IVG muitas pessoas não vão pensar 2 vezes...
Cada um de nós tem direito à sua opinião e ao seu voto...
Ás 10 semanas o bébé tem cabeça, pernas, braços, coração etc, se quem comete um aborto seja ele às 6, 7, 8, 9 ou 10 semanas visse aquilo que estava a destruir será que o fazia??? certamente a maioria não... pois quando está longe da vista está longe do coração, mas qd se tem realmente noção de que aquilo que temos dentro de nós é um pequeno ser, que tem direito à SUA vida... tudo muda...
Respeito a tua opinião e perdoa-me a invasão com a minha... espero que não me leves a mal...
Bj
Marta
Marta,
com certeza não vou levar a tua opinião a mal pois é por isso que este referendo vai a votos, por existirem 2 opiniões.
Em 1º lugar, ninguém na sua perfeita consciência é a favor do aborto. Eu não sou a favor do aborto, sou a favor da liberdade de escolha. Não sei se algum dia farei ou não mas quero ter as duas opções na minha mão.
Sim, às 10 semanas existem olhos, mãos, pés mas não existe um sistema nervoso central e se houver alguém que se lembre de quando tinha 10 semanas de gestação, por favor, eu gostava de conhecer. Não estamos a falar de morte, estamos a falar de vida, da vida da mulher.
E, Marta, em França, depois da liberalização do aborto, o número de nascimentos aumentou! E nós nem sequer podemos ser comparados a um país de 1º Mundo, como é a França. Eles têm boas condições para ter os filhos, têm bons abonos, bons sistemas de saúde, boas escolas. Nós não temos nada nem tão cedo vamos ter.
Diz-me, é preferível pôr uma criança no mundo para passar fome? Pior do que isso, podemos nós obrigar uma mulher a ter um filho? Mulher essa que não está nem nunca vai estar preparada para ser mãe?
Toda a gente sabe que não existe um método anticoncepcional infalível e acidentes acontecem. Toda a gente conhece alguém que teve um "filho da pílula". Não podemos condenar essas mulheres ao celibato nem ao sexo para fins apenas procriativos.
São tantas coisas a favor do SIM, Marta, e apenas uma a favor do NÃO.
Obrigada pelo teu comentário.
Minha kida Saife, as tuas razões são as minhas, como sabes e para quem não sabe eu sou mãe de um menino lindo de quase 2 anos. Às 9 semanas e 5 dias vi o meu menino com o seu corpinho, bracinhos e perninhas, com apenas uns miserios centimetros e chorei, pois foi qd me apercebi que tinha uma vida a crescer dentro de mim, o MEU filho. Mas eu tinha condições de o receber neste mundo, tinha mt carinho e amor para dar, condições psicológicas e financeiras para o sustentar. Considero-me uma felizarda pq posso dar condições de vida tanto monetária como afectiva ao meu filho, mas nem sempre é assim... Qtas mulheres são obrigadas a escolher, forçadas a abortar por inúmeros motivos? Qtas mais mulheres terão de morrer nas mãos de sabe-se lá quem pq têm de abortar? Para mim quem diz não ao aborto, acaba por ser um tanto hipócrita, pois o aborto existe desde sempre. Qtas mulheres não abortaram ao longo da História da Humanidade com ervas, mezinhas e parteiras??? Sim é uma vida para mts, mas só é uma vida se a amarmos, se a desejarmos, se tivermos condições de cuidar... O meu voto é pela liberdade de escolha da mulher. Bjus
É isso mesmo, amiga Pat. O que me dói mais nesta história toda é a hipocrisia porque eu NÃO acredito que, do lado do NÃO, todas as mulheres sejam imaculadas e nenhuma delas nunca tenha recorrido ao aborto. NÃO ACREDITO!
Esta campanha contra a legalização é a campanha da hipocrisia em todos os sentidos e mais alguns. Como é possível falar tanto da morte de um embrião e esquecer a morte da mulher? EU NÃO SOU NENHUMA INCUBADORA! E hei-de ter os meus filhos quando e quantos eu quiser.
Se eu vivesse em Portugal votaria pelo SIM, por vários dos motivos que você colocou. Pena que no Brasil, essa discussão ainda encontra tantos preconceitos.
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