
Alguém me explica porque é que os brasileiros continuam a pensar que os portugueses têm todos bigode (eles e elas) e trabalham em padarias? Pior ainda, continuam a pensar que nós somos um povo mentalmente limitado. De outra maneira é impossível explicar a insistência nas piadas em que a personagem principal é o português burro. Sim, algumas têm a sua piada mas 95% perde a graça toda simplesmente porque o nosso sotaque é completamente diferente.
Mas o que muitos brasileiros não sabem é que, a grande maioria dos emigrantes portugueses no Brasil, aqueles que começaram a chegar no início do século passado, são pessoas do (interior) Norte de Portugal, a maioria com pouca instrução escolar e baixos recursos económicos. E sim, naquela altura, a maioria dos homens usava bigode. E sim, a maioria deles foi abrir padarias no Brasil (não me perguntem porquê). Tentem agora encontrar um português com bigode...

Em consideração a todos os brasileiros que lêem o meu blog ( e ainda são alguns), eu não vou dizer qual é a idéia generalizada que os portugueses têm dos brasileiros. É muito má mesmo. E como eu não gosto de generalizar, vou dizer exactamente o mesmo que disse em relação aos portugueses: a maioria dos brasileiros que se encontram em Portugal à procura de trabalho são pessoas do interior do Brasil, com pouca instrução escolar e baixos recursos económicos.
Eu nem vou entrar na análise de dados porque se formos por aí, as coisas pioram um pouco. Os crimes relacionados com brasileiros em Portugal estão, na sua maioria ligados à prostituição, tráfico de drogas e crime organizado. Mas como eu disse, não quero generalizar. Não acredito que sejam todos farinha do mesmo saco e a prova disso é que tenho amigos brasileiros.
Desculpem mas hoje não me apeteceu ouvir que as piadas dos portugueses eram o reflexo da "pura realidade lusitana"... Podemos ter feito muita coisa menos boa na altura da colonialização mas, no fim de tudo, Portugal foi o país colonializador e é graças a isso que hoje mais de 180 milhões de brasileiros falam português. Se calhar não somos assim tão burros...